Mais da metade das mulheres com endometriose desenvolve ansiedade ou depressão

“Dores fortes no abdome, cólicas menstruais insuportáveis, dores na vagina ou na pelve durante a relação sexual, diarreia no período menstrual ou dor para evacuar, sangramento nas fezes, dor para urinar, sangramento na urina e infertilidade.

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Os sintomas da endometriose deixam claro porque mais da metade (cerca de 60%) das mulheres com a doença tendem a desenvolver também ansiedade ou depressão.

As dores, que geram sofrimento e isolamento social, associada ao impacto da mudança nos planos futuros (a endometriose dificulta a possibilidade de gestação) acabam levando essa mulher a desenvolver uma condição psicológica/psiquiátrica que, quando não tratada, pode inclusive prejudicar o tratamento da própria endometriose.
Ao receber o tratamento de uma ansiedade ou depressão, conforme explica Marco Aurélio Pinho de Oliveira, médico ginecologista, a mulher tende a aceitar melhor a condição da endometriose, favorecendo o cuidado dessa doença também.

“Também se sabe que a endometriose leva à dor crônica, e alguns medicamentos antidepressivos atuam de forma interessante em algumas formas de dor, como a dor neuropática, que pode estar presente nas pacientes com endometriose. Então, o tratamento da depressão/ansiedade pode motivar a paciente a, por exemplo, praticar exercícios físicos, e isso tem benefícios diretos em relação a endometriose“, explica o especialista, que também é chefe do ambulatório de endometriose da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Metade das mulheres com endometriose
A prevalência das doenças mentais em pacientes diagnosticadas com endometriose não é clara, de acordo com Oliveira, mas alguns trabalhos na literatura médica indicam que até 60% a 70% das pacientes teriam sintomas de ansiedade ou depressão.

Apesar da inexistência de números exatos, a presença dessas pacientes nos consultórios médicos é bastante comum.

“Na parte clínica é frequente, principalmente em dois grupos de pacientes: aquelas que sofrem com as cólicas muto fortes, que geram limitações nas atividades diárias, de trabalho e lazer, e elas não tem o diagnóstico, o que gera o sofrimento em saber do que se trata; e aquelas que têm o diagnóstico, e que gera a infertilidade, que também traz ansiedade, expectativa, sensação de impotência”, cita Francisco Furtado Filho, médico ginecologista, especialista em reprodução humana, do hospital Nossa Senhora das Graças e diretor proprietário da clínica Fertway, em Curitiba.

Em média, 10 a 13 anos é o tempo entre os primeiros sintomas da endometriose até a mulher receber o diagnóstico no Brasil, segundo Furtado. Isso se deve a uma desinformação com relação à doença entre as pacientes, mas também entre os médicos.

“São mulheres com dores nesse período e durante o mês todo, com manifestações clínicas diversas, dores generalizadas pelo corpo, dor de cabeça. Elas são atendidas por neurologistas por enxaqueca, são pacientes investigadas por reumatologistas ou clínicos que rotulam como fibromialgia, mas é endometriose. Além do sofrimento físico, tem o emocional, porque ir em vários médicos, alguns que dizem que não tem nada, ou tem tudo, menos endometriose. Não ter o diagnóstico certo gera ansiedade”, explica Francisco Furtado Filho, médico ginecologista.
Endometriose também não tem idade para acometer: vai desde a adolescente até a mulher mais velha.

“Não tem data limítrofe. Ela pode ser portadora da endometriose, mas desenvolver as manifestações clínicas mais tarde. É muito importante que as pacientes percebam se há cólicas menstruais com dores intensas, limitação das atividades, dores na relação sexual, mudança no padrão menstrual. São situações que devem ser vistas como alertas”, reforça o especialista.

O que é endometriose?
Uma vez por mês,  os hormônios do ciclo menstrual aumentam o tamanho do endométrio (camada interna do útero), a espera de uma gravidez. Caso não venha a ocorrer, esse mesmo endométrio descama, saindo do corpo em forma de menstruação.

Em alguns casos, ao invés de sair, parte do endométrio se aloja na cavidade abdominal, aderindo ao intestino, ovários, trompas e bexiga, por exemplo. Com isso, gera um processo inflamatório, caracterizando a doença e gerando os sintomas.
Os tratamentos envolvem desde procedimentos cirúrgicos, feitos laparoscopicamente, a medicamentos (dependendo da idade da paciente, a introdução de anticoncepcionais hormonais auxiliam no tratamento). Mas mudanças nos hábitos de vida, como exercícios físicos regulares e um controle maior da alimentação, também são indicados.”

 

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